A Malemolência dos Espetinhos

Aqui em BH surgiu um fenômeno maravilhoso na “agitada” vida noturna da cidade: os espetinhos! Começaram há uns 20 anos como opção aos pratos gigantes que costumavam servir: tem a picanha mas tem também o espeto menor. Serve uma pessoa e você pode comer vários tipos de carnes diferentes! Bom demais, né?

Pois é… Pessoal por aqui já ama um bar… e o tal do espetinho foi evoluindo, evoluindo e hoje atingiu níveis de balada. Vivem lotados, rola música ao vivo, dj e muito clima de paquera e azaração! (sempre quis dizer isso hahahahaha)

E vou te contar: eu amo a falta de compromisso do espetinho! Você chega, come o que quiser, bebe o que quiser sem precisar de uma votação e aprovação da mesa inteira pra fazer o pedido: GENTE, ATENÇÃO, VOU PEDIR A PICANHA, QUEM VAI QUERER? PI-CA-NHA! ALGUEM? MATEUS, VOCÊ QUER? 500 GRAMAS? NAO É MUITO? E VOCE JULIANA? NÃO? PREFERE MANDIOCA? VOU VER.

Quem aguenta uma eleição a cada pedido?? Os espetinhos resolveram isso. É PÁ, PUM. Cada um pede o seu, come o seu, paga o seu. PA RA Í SO. E ainda tem a melhor parte: você pode simplesmente IR EMBORA. Não tem conta pra pagar, não tem conta pra dividir, não tem que fazer cálculo, não tem que esperar a maquininha do cartão. Tem nada disso. Você paga tudo antes e plim! Vai embora NA HORA QUE QUISER! Se isso não é vantagem, meus amigos. Não sei o que é…

Fora a maleabilidade das pessoas… Não tem mesa fixa, ou até tem, mas fica todo mundo em pé, misturado, circulando pra buscar cerveja e comida no balcão. Ô coisa maravilhosa! Você pode marcar com umas quatro turmas diferentes no mesmo lugar e dar atenção pra todo mundo. Pode ir sozinha e ficar circulando até conhecer alguém legal, pode esbarrar num moço bom na hora de pegar cerveja… Nunca se sabe a surpresa que um espetinho tem pra oferecer! Você vê isso em restaurante? Nunca vi!

Mas olha, não vá achando que tudo são flores não… Os espetinhos costumam ficar bem cheios e assim… Você já se imaginou com um espeto numa mão, uma long neck na outra, celular entre os dedos, bolsa no ombro e guardanapo equilibrado em algum espaço por ali? Pois é… Comer pode ser um desafio num espetinho. Você vive seus dez minutos de malabarista e torce pra não derrubar a cerveja no chão ou espetar o olho do paquera com o palito do espetinho. Acontece, já vi.

Fora que se você estiver cansada, bem, prepara pra andar, minha filha! É um tal de mesa alta meio bamba, banco alto sem encosto, nada de lugar pra colocar a bolsa e aquela adrenalina de quem nunca sabe se vai perder o equilíbrio e cair do banquinho instável! E se não tiver garçom? Uma ida ao balcão a cada pedido. Se você não tiver no clima paquera… bem, isso pode ser cansativo. (Se tiver eu sugiro alternar as rotas e chamar uma amiga pra bater papo no balcão, funciona! hahaha)

E essa história de comprar tudo antes exige um planejamento absurdo! Eu sempre sou otimista e acho que vou tomar duas cervejas. Acabo voltando pra comprar mais umas quatro. Minha vida realista: ou volto com ficha pra casa ou volto pra fila pra comprar mais. Um dia eu acerto, tô na esperança…

Fazendo a matemática, o espetinho é charmoso. É sexy sem ser vulgar, sabe? Tem um quê de malemolência que só os bares de BH têm. É aquele lugar que te acolhe em qualquer canto da cidade. Tem sempre uma cerveja gelada, um garçom alegrinho e um espeto gostoso. Tem como ser ruim, não, tem?

 

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