Não me acho, me tenho certeza.


Já me acostumei a escutar que “eu me acho”. Desde pequena, qualquer demonstração de segurança vem seguida por um “você se acha, né?”.

Impressionante como mulher quando é segura de si, assusta. Assusta homens e assusta outras mulheres também. A segurança e auto confiança feminina vem seguida de reprovação. Um homem quando se sente capaz, é seguro. A mulher, “se acha”.

Depois de uns tempos parei de dar um sorrisinho sem graça quando escutava isso. Passei a responder que “não me acho, me tenho certeza”. Seguido de um sorriso e uma leve encarada em quer que seja que esteja falando isso. Tenho confiança em mim, tenho segurança nas minhas escolhas e sei meu lugar no mundo.

Eu me acho não quer dizer que eu não ache outras pessoas. Eu me acho não quer dizer que eu me ache melhor que ninguém. Pelo contrário. Ter segurança em mim, na pessoa que sou e nos valores que acredito me faz enxergar e valorizar mais e melhor as pessoas ao meu redor. Tenho minhas inseguranças, dezenas delas. Mas tenho também minhas seguranças, construo centenas delas. No final, esse saldo positivo que construo diariamente é o que faz com que eu me tenha certeza.

Essa insegurança que a gente sente vem da comparação com as outras pessoas. Aprendi isso desde pequenininha quando falavam que meu cabelo era ruim e feio pq era enrolado. Eu não achava meu cabelo feio. Passei a achar porque não era liso. Eu amo ser baixinha e falavam que era ruim porque todas as modelos lindas eram altas. Eu não achava feio meu olho grande. Começaram a me falar que tinha truques de maquiagem pra diminuí-los.

Foram anos de desconstrução do que eu queria/devia ser pra me sentir bem comigo. E foram anos de construção do que eu sou também.

Eu entendi que meu cabelo não é feio porque é enrolado. E aprendi a cuidar dele da melhor forma, pra deixar do jeito que eu me sentir melhor. Aprendi que não tem problema eu gostar de ser baixinha. “Ah mas você não queria uns centímetros a mais?” Não. Imagina o espaço que ia ocupar se eu medisse 1,70m? Gente, eu sou escandalosa. Melhor assim, versão pocket. Aprendi a amar meus olhos gigantescos. E fazer maquiagens que os deixam ainda maiores. Ainda tenho mil inseguranças mal resolvidas por aqui. Mas com esse tanto de coisa boa que eu carrego, pra quê me definir pelo que eu não gosto? Eu não sou melhor que ninguém por conta dessa ou outra característica. E ninguém é melhor do que eu por isso.

E é assim que nasce a segurança, auto confiança e auto estima. A gente não tá sempre competindo, em tudo, com todo mundo. A gente tá vivendo. Melhorar você é diferente de comparar você. Se conhecer e buscar seu melhor, mesmo seu melhor sendo diferente do melhor do outro. Aliás, quanto mais diferente formos, melhor!

É esse exercício, essa desconstrução  do “dever ser” e a construção do “ser” que a gente trabalha juntas na Consultoria de Imagem. Foi ajudando centenas de mulheres a se encontrarem que fui enxergando como as coisas ficam mais leves e mais bonitas quando a gente se constrói sem se comparar. Pode admirar alguém, achar incrível. Pode não gostar das escolhas dos outros também. Mas entender que o outro é o outro e a gente é a gente traz leveza e com a leveza, segurança.

E sabe o que é mais incrível? Quanto mais a gente “se acha” mais a gente olha pra gente com carinho. Mais se cuida, dá valor. Olha menos pros outros, se preocupa menos com a vida e com as escolhas dos outros. “Cê viu fulana que tá fazendo isso e aquilo?” Deixa fulana, vai fazer seu aquilo outro o melhor que você puder! E vida (maravilhosa) e leve que segue!




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